Luca Rischbieter
Mesmo com todas as novas tecnologias e a necessidade de
incluí-las no processo educativo, uma boa escola continua a ser o que sempre foi: acima
de tudo, um espaço em que crianças e adolescentes se encontram, em um ambiente, regulado
por adultos qualificados, que oferece proteção contra o mundo e em que todos são
tratados com atenção e com respeito.
Essa exigência fundamental de boas relações humanas vale
para qualquer tipo de escola, por maiores que possam ser as diferenças entre os
princípios filosóficos e os valores, as concepções do papel da religião, da
autoridade, as prioridades de ensino, em termos tanto de conteúdos como de métodos.
Cada escola possui seu jeito próprio de ser e de educar.
Mas, para todas elas, não é mais possível ignorar as novas tecnologias, pois elas podem
melhorar tremendamente a quantidade e a qualidade da educação oferecida. Do ensino
curricular mais tradicional às formas mais "alternativas" de educar, qualquer
escola só tem a ganhar com a introdução de recursos como os da informática e da
Internet.
De certa forma, não aproveitar as novas tecnologias e o
que elas podem nos trazer - em termos de possibilidades de pesquisa, de aprendizagem, de
autoria e de comunicação - está ficando cada vez mais parecido com o que seria educar
antigamente ignorando canetas e livros...
Em escolas particulares e nas redes públicas, uma nova
tarefa de pais que buscam a melhor educação para seus filhos passa a ser pressionar no
sentido da incorporação das novas tecnologias ao processo educativo. É preciso
conscientizar-se, especialmente, de que o seu não aproveitamento em nossas escolas
públicas já está criando um novo tipo de exclusão social, o "iletronismo", e
corremos o risco de formar gerações de jovens de origem popular que não puderam
explorar e dominar as novas tecnologias nem em seus lares nem nas escolas.
Em suma, mesmo se as constantes revoluções tecnológicas
precisam ser levadas em conta, uma boa escola continua sendo aquela na qual confiamos e à
qual nossos filhos retornam com prazer. Não há solução tecnológica capaz de
transformar um espaço pobre em relações humanas em um lugar interessante e capaz de
gerar uma boa educação. Isso ainda é o fundamental e é a partir daí que podem ser
experimentadas novas formas de ensinar e de aprender, cujo potencial apenas começamos a
vislumbrar.
Pedagogo e Geógrafo
Portal:www.educacional.com.br
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